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Psicologia Afirmativa para LGBTQIAPN+: o que é e para quem?

​​​A Psicologia Afirmativa é uma abordagem ética de cuidado terapêutico que se concentra no acolhimento e na promoção da saúde mental de pessoas LGBTQIAPN+, outros grupos minorizados e seus familiares. 

A história da Psicologia Afirmativa está profundamente ligada aos movimentos pelos direitos civis e à luta pela despatologização das homossexualidades, bissexualidades, transexualidades, travestilidades e outras identidades que desafiam a cis-heteronormatividade. Entre os séculos XIX e XX, as homossexualidades, bissexualidades e experiências trans eram consideradas transtornos mentais pela comunidade psiquiátrica e psicológica. Em decorrência desse enquadramento, surgiram abordagens tradicionais que, por muito tempo, patologizaram identidades de gênero e orientações sexuais dissidentes da norma heterossexual e cisgênera.

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No entanto, essas práticas começaram a ser questionadas e contestadas, resultando em marcos importantes para a comunidade LGBTQIAPN+.

  • Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria removeu a homossexualidade do DSM.

  • Em 1975, a Associação Americana de Psicologia publica uma resolução afirmando que a homossexualidade não deve ser compreendida como uma psicopatologia.

  • Em 1985, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina posiciona-se oficialmente declarando que a homossexualidade não é uma doença.

  • Apenas em 1990, a Organização Mundial da Saúde retira a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças.

  • Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) passa a regulamentar a atuação profissional de psicólogos/as, formalizando que a Psicologia brasileira não deve compreender a homossexualidade como perversão, distúrbio ou doença.

  • Em 2018, o CFP estabelece normas de atuação para psicólogos/as em relação às pessoas transexuais e travestis, reforçando uma perspectiva despatologizante em relação às identidades trans.

  • Em 2022, o CFP estabelece normas de atuação para profissionais da psicologia em relação às bissexualidades e demais orientações não-monossexuais, demarcando uma posição antibifobia e antimonossexista.

Esse progresso, impulsionado pela crescente mobilização social e por novas pesquisas científicas, abriu caminho para que psicólogos e terapeutas desenvolvessem abordagens que não apenas evitassem o preconceito, mas também celebrassem a diversidade sexual e de gênero.

Como uma ética de cuidado, a Psicologia Afirmativa se opõe a todas as formas de discriminação, preconceito e patologização, buscando oferecer um ambiente seguro de escuta e acolhimento para aqueles/as que iniciam um processo psicoterapêutico. É importante ressaltar que a Psicologia Afirmativa não é uma abordagem psicológica específica, mas sim um enfoque ético, estético e político que pode ser integrado a diversas correntes da psicologia.

Em meu trabalho, a Psicologia Afirmativa é guiada por uma perspectiva psicoterapêutica interseccional. Articulo áreas do conhecimento como a Psicanálise, os Estudos de Gênero e Sexualidades e a Psicologia Social Crítica. Assim, busco construir uma tessitura de trabalho na qual o desejo, em sua potência criativa, é celebrado nas suas diversas formas e expressões.

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